quinta-feira, 12 de abril de 2012

Cidadania | Discriminação orkutizada

 

A coluna Cidadania propõe uma discussão contemporânea relacionada a facilidade que a população tem tido para o acesso as tecnologias relacionadas a internet. O preconceito em relação a popularização de recursos para a rede, vai além do 'eu tenho (por isso sou melhor) e você não tem'. O Jean Falcão sugere uma reflexão acerca do tema no Remussicare.





Discriminação orkutizada.

Assunto que pipocou nas redes sociais na última semana foi o lançamento da versão do Instagram para celulares com sistema operacional Android - e não, isso aqui não é a coluna de tecnologia =P.

Acontece que em meio à verdadeira sensação do acontecimento muito se falou em “orkutização” do aplicativo, que sugere um debate bem mais amplo: é absurdo considerar a popularização da tecnologia uma coisa ruim. Evidentemente não vou entrar aqui na discussão sobre preços e condições de compras de smartphones que possam torná-los mais ou menos acessíveis; isso o Rafael Souza fará, na coluna Remussitech, com bem mais propriedade muito em breve.

Se você é uma pessoa em rede, muito possivelmente já disse que algo “orkutizou”. Eu mesmo já o fiz diversas vezes, brincando com coisas tantas! Preocupa, no entanto, o tom pejorativo da expressão, quando traz consigo declarada aversão à inclusão digital. Ou alguém pensou que os avanços do Brasil rumo ao desenvolvimento acontecem somente na classe dita “A”? Fosse assim não seriam avanços, pois.

Segundo o Ibope, o Brasil está próximo de ter 80 milhões de internautas. Considerado pouco se levarmos em conta o tamanho da população tupiniquim, mas um avanço consistente se considerarmos o tempo de sua ocorrência. Os mesmos dados indicam, inclusive, que este aumento se deve em maior parte às conexões domésticas! E as redes sociais são, por natureza, um reflexo direto disso tudo.

Seja no feed de notícias, na timeline, no mural ou nas postagens, cada um(a) escolhe o que vê ao mesmo tempo em que demonstra o que pensa, como interpreta e de que forma utiliza os serviços nos quais se registrou por vontade, acesso, direito, diversão, etc. E aí todo mundo acaba, de uma forma ou de outra, sendo responsável pela formação e aquisição de conteúdo nas redes - como na vida.

Tecnologia nasceu pra ser bem comum, a roda e o fogo que o digam. E não é a orkutização da discriminação que vai alterar isso, pelo contrário, trata-se de uma atitude que vai no sentido contrário da elevação do conhecimento que a ferramenta propõe, sobretudo.

Arquivo: Coluna Cidadania e Bem-estar

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